Carvalhal é uma aldeia situada no Vale de Cheleiros, à beira do Rio Lizandro, implantada numa região marcadamente rural. A sua história e economia estão ligadas ao binómio do vinho e do pão.
Todavia, em especial nas últimas décadas, a importância sociocultural do pão, os seus processos de produção e os circuitos de comercialização têm vindo a mudar de feição, ganhando novos contornos e maior projeção para além das fronteiras concelhias.
O fabrico deste vulgo pão saloio permaneceu uma atividade doméstica e artesanal até há meio século, se bem que a sua venda pelas ruas da capital se encontre referenciada desde tempos recuados: levado de burro, em cestos de vime, pelos vendedores saloios que diariamente abasteciam a cidade e os mercados locais com os seus produtos agrícolas e derivados. Este era um pão que, pelas suas propriedades físicas, contrastava com o pão tipo francês produzido nas padarias da capital.
A conjuntura política e económica, que se fez sentir a partir de meados da década de 1970, trouxe melhorias consideráveis à atividade panificadora, em virtude da liberalização do mercado relativa à venda de pão de mistura e maiores margens de lucro. Deste modo, abriram-se as portas à comercialização e à difusão do pão produzido no concelho de Mafra a outras regiões, logo também a Carvalhal.
No período pós 25 de abril, nomeadamente as greves de padeiros na capital e a consequente escassez de pão, o desmembramento das uniões panificadoras e a liberalização do comércio do pão, foram fatores determinantes para o surgimento de novas padarias concelhias e o seu apetrechamento mecânico. Curiosamente, as cheias de 1983, em que as águas abastecidas a muitas padarias dos arredores da capital ficaram temporariamente insalubres, constituíram, igualmente, um fator de promoção do pão da região e consequente aumento de vendas.
Consequentemente, nesta crucial época em que o pão passou a ser uma atividade empresarial, constituindo uma das indústrias concelhias de maior vulto, Carvalhal tornou-se um dos seus principais polos de panificação, produzindo um pão afamado, de distribuição alargada, que se mantém até aos nossos dias.
O pós 25 de abril é apontado como o período em que formalmente terá sido criada a primeira padaria nesta aldeia, uma parceria de dois sócios, instalada no edifício da antiga coletividade de Carvalhal, seguindo-se outras. Esta indústria local teve por base unidades panificadoras de caráter familiar, tendo dado origem a verdadeiras dinastias de padeiros. O pão produzido nestas padarias tem características específicas, sendo feito com farinhas de mistura de qualidade, obtidas em moagem artesanal em mós de pedra, cozido em fornos a lenha, construídos em alvenaria, segundo técnicas antigas da região.
A sua atual produção é diversificada, indo ao encontro do gosto de clientelas citadinas, compreendendo diversos tipos de pão, a saber: pão de cabeça, pão redondo, forma saloia, de centeio, bolas saloias e broa de milho, entre outros.
Hoje em dia, o pão de Carvalhal está difundido para além das fronteiras concelhias, sendo conhecido pelo nome da sua localidade. Este é um pão que se notabilizou pelo seu sabor e textura, resultante do saber-fazer da arte da panificação.
A valorização deste saber-fazer da panificação, ancorado na tradição familiar, contribui para a dinamização económica e oferta turística do território e para a preservação da cultura e identidade local.