Centro de Interpretação

CHELEIROS

Centro de Interpretação de Cheleiros
Centro de Interpretação de Cheleiros

ROTEIRO DIGITAL

Centro de Interpretação de Cheleiros

Localizado no edifício do antigo Jardim de Infância, este é um espaço fundamental para a preservação da memória, no âmbito do Património Histórico e Arqueológico, bem como para a valorização de Cheleiros, aldeia com passado milenar e que foi sede de concelho durante mais de 600 anos.

Esta foi uma iniciativa da União das Freguesias de Igreja Nova e Cheleiros, com o apoio da A2S – Associação para o Desenvolvimento Sustentável da Região Saloia e do Município de Mafra.

Assente em pitoresco baixio, rodeada de férteis montes e atravessada por uma aprazível ribeira, Cheleiros ou, como outrora, Chyleyros, é uma acolhedora aldeia que foi sede de concelho durante mais de 600 anos.

Etimologicamente Chyleyros, provém de silo ou celeiro, pois presumivelmente aqui se armazenavam, em tempos remotos, os géneros provenientes dos pagamentos de dízimos dos vários donatários das terras ou, simplesmente, por esta ser uma terra acastelada, onde se guardava o trigo.

De fundação ancestral, a primeira das alusões a estas terras consta no Foral de Sintra[1], datado de 1154, no qual se fazia referência aos terrenos a lavrar e plantar, desde o Castelo dos Mouros até para lá da Ribeira de Cheleiros.

Documento real que visava estabelecer os concelhos e regular a sua administração, deveres e privilégios. Considerando que as primeiras Cartas de Foro foram outorgadas no decorrer da reconquista cristã, estas tiveram um papel fundamental na formação de Portugal.

Anos mais tarde, a 15 de fevereiro de 1195, o reguengo de Cheleiros foi agraciado por D. Sancho I com a sua própria Carta de Foro. Não se conhece o documento original, apenas a sua transcrição, integrada na carta de confirmação régia concedida por D. Dinis, a 4 de maio de 1305. Nessa altura, seriam senhores de Cheleiros os Viscondes de Vila Nova de Cerveira.

A extensa importância que lograva esta vila mereceu a atenção, também, do rei D. Manuel I, que lhe confirmou os estatutos concedidos pelos seus antepassados, outorgando aos moradores de Cheleiros a Carta de Foral, datada de 25 de novembro de 1516. Desconhece-se tanto o documento original entregue à Câmara do Concelho, como o segundo exemplar deste, concedido ao senhorio destas terras, D. Álvaro de Ataíde. Este primeiro donatário da Família Ataíde, Senhor das Vilas de Castanheira, Povos e Cheleiros, além de ter sido uma figura de vulto no tempo de D. Afonso V, participou na conquista de Alcácer-Ceguer, na expedição a Tânger e anos mais tarde, juntamente com o seu filho mais velho, D. Pedro de Ataíde, cooperou na conspiração contra o rei D. João II (1484), liderada pelo Duque de Viseu.

As cartas de Foral emitidas na época de D. Manuel I, são “cartas de privilégio”, um pouco diferentes das anteriormente referidas, e que conferiam aos concelhos um estatuto de exceção, privilegiando-os em relação a outros territórios.

Após este longo período de domínio por parte dos Ataíde, entretanto agraciados com o título de Condes de Castanheira, a vila acaba por passar para a coroa, indo engrossar, anos mais tarde (1705), os bens da Casa do Infantado[1]. Nessa primeira metade do século XVIII, época áurea da história de Portugal sob a regência de D. João V, este reguengo tornar-se-á um ponto fulcral na passagem de parte das matérias primas utilizadas na construção do palácio-convento de Mafra.

A Casa do Infantado foi criada em 11 agosto de 1654, por D. João IV, e ao longo da sua existência foi uma das maiores instituições senhoriais do nosso país. A sua fundação teve como intuito dotar os filhos segundos do monarca reinante de fundos próprios.

Volvidos quase dois séculos, a Casa do Infantado é extinta (1834), por D. Pedro IV, e os seus bens e terras integrados, primeiramente, na Fazenda Nacional, e mais tarde alienados a burgueses. Cheleiros, acaba por ser incorporada no Concelho de Sintra, e em 1855 passa definitivamente a integrar o Concelho de Mafra e assim permanecerá, até à atualidade.

O potencial turístico desta freguesia, aliado ao valor histórico-cultural contribuíram para que, em setembro de 2022, fosse condecorada com a classificação de Aldeia de Portugal, a primeira da Área Metropolitana de Lisboa, pela Associação de Turismo de Aldeia, no seguimento de um repto lançado pela Associação para o Desenvolvimento Sustentável da Região Saloia (A2S) à União de Freguesias de Igreja Nova e Cheleiros.

Como chegar até aqui?

  • A partir de Lisboa: Siga pela A8 em direção a Mafra. Após cerca de 20 km, tome a saída para a A21, seguindo as placas em direção a Mafra. Deverá sair em direcção a Mafra (Este), e depois, siga pela EN9 até Cheleiros.
  • A partir de Torres Vedras: Utilize a A8 em direção a Lisboa e, em seguida, entre na A21 seguindo as placas em direção a Mafra. Deverá sair em direcção a Mafra (Este), e depois, siga pela EN9 até Cheleiros.