A União das Freguesias de Igreja Nova e Cheleiros é uma freguesia pertencente ao município de Mafra, distrito de Lisboa. Esta freguesia foi criada através da reorganização administrativa do território das freguesias, Lei n.º 11-A/2013, de 28 de janeiro, por agregação das antigas freguesias de Igreja Nova e Cheleiros.
A União das Freguesias de Igreja Nova e Cheleiros possui 37,07 km² de área, o que faz dela a segunda maior freguesia do município de Mafra, 4693 habitantes (de 86521 em Mafra, de acordo com censos de 2021) e uma densidade populacional é 127 hab./km², a menor do município de Mafra. Caracteriza-se então por ser uma freguesia rural, que pertence à Área Metropolitana de Lisboa, e que oferece uma excelente qualidade de vida a poucos quilómetros da capital do país.
Existem vários testemunhos do precoce povoamento do território da União de Freguesias de Igreja Nova e Cheleiros. No povoado do Alto do Cartaxo foram encontrados alguns materiais líticos e fragmentos de cerâmica bastante atípica, correspondentes ao período Calcolítico.
Outro testemunho do precoce povoamento deste território pode ser encontrado no Penedo de Lexim, um dos sítios arqueológicos mais relevantes da arqueologia mafrense e do Calcolítico peninsular.
Situado na margem esquerda da Ribeira de Cheleiros, este penedo oferecia condições de habitabilidade suficientemente apelativas para que entre o IV. milénio e o III. milénio a.C., uma comunidade agro-pastoril o tivesse escolhido para aí se instalar.
Outrora incluída no termo de Sintra, a freguesia foi fundada em 1255. A nomenclatura desta freguesia terá por base a edificação, em 1255, de uma nova igreja a 500 m da Capela do Espirito Santo (a Capela do Espírito Santo contém uma interessantíssima pintura sobre tábua datada do século XVI cujo tema é “Pentecostes”). A pequenez desta capela cuja construção é bem anterior à do novo templo, terá conduzido à construção deste novo templo, popularmente designado por “Igreja Nova”. Esta designação medieval terá perdurado, passando a designar a própria freguesia.
No século XVII foi cabeça do Cirio de Prata Grande ou de Nossa Senhora da Nazaré, situação que perdura aos dias de hoje, a festa mais popular e concorrida de toda a Estremadura.
A Igreja de Nossa Senhora da Conceição que nós observamos nos dias de hoje é um templo datado do século XV ou XVI e possui três naves. No dia 3 de setembro de 1984 ocorreu um incendio nesta igreja, fazendo com que destas naves apenas restassem as paredes mestras. Na década de noventa do século XX procedeu-se ao seu restauro conservando ainda o antigo portal manuelino. É um portal de volta inteira com decoração com motivos vegetalistas e cachos de uvas. No interior também merece destaque a pia de origem quinhentista, de oito faces com inscrição gótica, e duas pias de água benta, uma de gomos do século XVI e a outra que esta assente sobre uma ara romana.
A freguesia de Cheleiros, é uma povoação antiquíssima, como revela a presença de inúmeros vestígios arqueológicos romanos e paleocristãos. Referimo-nos claro à ponte medieval, provavelmente de origem romana, que possui um arco único de volta inteira, um tabuleiro em cavalete e uma guarda murada; e aos dois cipos de mármore aplicados à fachada lateral da Igreja de Cheleiros. Um dos cipos contém uma inscrição romana (datável do século I d.C.), e o outro contém um epitáfio paleocristão (datável do último quartel do século V d.C. ou da primeira metade do século VI d.C.).
Foi em 1195 que a povoação de Cheleiros, importante vila do território, se tornou concelho dotado Carta de Foral atribuída pelo rei D. Sancho I. Em 1304, o rei D. Dinis doou o território de Cheleiros a D. Violante Lopes Pacheco, futura esposa de um fidalgo da Casa dos Condes de Castanheira e Senhor de Mafra e no ano seguinte confirmou a atribuição da Carta de Foral a este território. Deste enlace não resultou nenhum herdeiro, permitindo que o território de Cheleiros revertesse para a coroa. D. João I em 1420, doou Cheleiros a Gonçalves Vasques de Melo. Por sua morte as terras foram herdadas pelo seu filho Martim Vasques de Melo que, não tendo descendentes, deu origem a que por sua morte Cheleiros passasse novamente para a coroa. Em 1516, D. Manuel I concedeu novo Foral a este concelho. Durante o reinado de D. Pedro II de Portugal, mais propriamente no ano de 1705, Cheleiros foi integrado na Casa do Infantado. Permaneceu concelho até 1836, data em que foi despromovido a sede de freguesia do Concelho de Sintra, passando, em 1855, a pertencer ao Concelho de Mafra.
Do seu património edificado fazem parte as casas rurais da Aldeia de Broas; a Igreja Paroquial de Cheleiros; a Ponte antiga, com o seu arco único de volta inteira, o seu tabuleiro em cavalete e a sua guarda murada; e a Capela do Espírito Santo. A Igreja Paroquial de Cheleiros, classificada como Imóvel de Interesse Público e um bom exemplo das influências manuelinas na arquitetura rural, apresenta planta longitudinal simples, composta por nave única, capela-mor retangular, torre sineira (com dois registos) e dependências de apoio localizadas a Sul e a Norte. A sua fachada principal possui um portal de arco quebrado assente sobre colunas de arquitetura manuelina. Este portal principal dá acesso ao interior deste templo, um espaço marcado pela presença de um coro-alto assente em colunas, de um batistério e de um púlpito circular. A Aldeia de Broas aglomerado de casas rurais e cuja origem remonta ao século XVI, está desabitado há pelo menos trinta anos, sendo um testemunho das vivências da região saloia.
Ao nível económico as principais atividades geradoras de emprego na freguesia são as oficinas de mármores, a construção civil, a camionagem, a panificação e a pastelaria. O sector terciário é essencialmente representado pelo pequeno comércio, tão necessário aos bens de consumo corrente.
Em 2022 propôs-se a integração do eixo Mata Pequena – Cheleiros – Carvalhal na rede nacional “Aldeias de Portugal”, recebendo o certificado de classificação a 7 de outubro de 2022, fazendo de Cheleiros a primeira aldeia da Área Metropolitana de Lisboa a integrar esta rede. Esta foi assente em quatro grandes pilares:
Património arquitetónico: o pelourinho e o edifício da antiga Câmara Municipal, o relógio de sol, o Cruzeiro do Rebalde, as azenhas, os chafarizes e fontes, e os edifícios religiosos, que são a Igreja de Nossa Senhora do Reclamador e a Capela do Espírito Santo.
Património histórico: Cheleiros, cujo nome deriva da ribeira que por ali passa e do facto de esse ter sido, em devido tempo, um sítio de celeiros, recebeu a Carta de Foro de D. Sancho I em 1195. O Penedo de Lexim, antiga chaminé vulcânica que se configura como um autêntico “castelo natural”, é testemunho da história milenar desta localidade da Área Metropolitana de Lisboa, com a presença de vestígios que remontam aos tempos da pré-história. De um tempo mais recente, mas com peso histórico igualmente respeitável, a ponte medieval de pedra, também conhecida como “ponte velha”.
Património gastronómico: o pão de Mafra, a chouriça de sangue, um copo de vinho da casta Jampal, produzida nesta região, as Broas de Cheleiros, as queijadas de leite, o bolo rei de Carvalhal ou as filhoses do Entrudo.
Património natural: vários percursos pedestres, autênticos passeios e caminhadas pela natureza que permitem a observação de pássaros como perdizes, codornizes, guarda-rios ou aves de rapina, e facilitam a visita às cascatas do Mourão e a contemplação das belas paisagens proporcionadas pelo rio, com os seus montes, as encostas das vinhas e os moinhos. Podem também percorrer-se os trilhos entre a aldeia saloia da Mata Pequena e a Foz do Lizandro, guardando tempo para explorar os vários pontos de interesse assinalados no percurso.
Esta integração de Cheleiros como Aldeia de Portugal pretende não só promover os quatro grandes pilares identificados bem como recuperar áreas publicas e desenvolver economicamente a região.
Uma última palavra para a Aldeia da Mata Pequena que remonta a tempos imemoriais. É um pequeno povoado rural, composto por uma dezena de habitações e que se enquadrada numa paisagem natural rica que convida ao lazer e ao contacto com a natureza. Atualmente está a ser utilizada como Turismo Rural.